Autocontrole: a diferença entre o sucesso e o fracasso

A nossa vida é em grande parte resultado das nossas ações. É verdade que existem aspectos de nossa situação que independem da nossa vontade. Mas, mesmo quando não controlamos diretamente a situação econômica e social, podemos ainda aproximar-nos de nosso ideal se formos capazes de controlar o nosso comportamento.

Tanto na vida profissional quanto na vida familiar, a nossa ação pode exercer uma grande influência. 

Nós sabemos disso.  Daí os nossos muitos planos e tentativas de vivermos de maneira mais satisfatória.

Acontece, porém, que as boas determinações tomadas numa noite de lucidez parecem impossíveis de levar adiante na manhã seguinte. Como por arte de mágica, aquilo que era tão evidente e necessário algumas horas antes, parece perder repentinamente todo o seu poder motivador. 

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Existe um momento em que atingimos uma certa clareza a respeito do qual é a atitude e o comportamento adequado para atingir os nossos objetivos, seja uma vida matrimonial agradável, seja uma situação profissional promissora. Esse momento é muito importante, mas inútil se a compreensão não modificar hábitos de pensamento, emoção e conduta. Aí acontece a conhecida disputa entre o conhecimento do que é correto e a força do hábito.

Sabemos que gritar com o nosso cônjuge não é a conduta que irá tornar a nossa relação mais íntima, estável e amorosa. Da mesma forma, sabemos que protelar o que temos que fazer hoje, não é a melhor forma de melhorar nossa situação profissional. Mas a força do hábito costuma vencer a compreensão. 

Na medida em que somos capazes de vencer a força compulsiva dos hábitos é que temos chances de aproximar-nos de nossos objetivos.

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O hábito tem componentes fisiológicos, emocionais e mentais. A ira, para dar um exemplo simples, estimula a produção de adrenalina. O hábito de agir iradamente nos acostuma com uma certa dose de adrenalina em nosso sangue. Em outras palavras, nos tornamos viciados, quimicamente dependentes da dose diária de adrenalina. E, mesmo quando tudo corre bem, somos capazes de criar situações de conflito, apenas para sentir mais uma vez aquela sensação estimulante da adrenalina em nosso corpo. 

Transformar padrões corporais, emocionais e mentais pode ser uma tarefa árdua e difícil que requer ou uma grande força de vontade ou pode ser uma realizada usando técnicas inteligentes baseada numa compreensão clara de como funciona o nosso sistema corpo-mente.

O Yoga trabalha com a totalidade do ser humano. Suas técnicas afetam tanto o corpo quanto a mente e as emoções. É por isso que ela apresenta resultados tão espetaculares entre os seus praticantes. 

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É do Yoga que surgem ferramentas poderosas de autocontrole, testadas por muitas gerações. Exercícios suaves, inteligentes e agradáveis de respiração, concentração e meditação podem mudar uma conduta destrutiva de maneira muito mais eficiente do que esforços de vontade heróicos. 

Aprender a viver é aprender a ganhar autocontrole. É descobrir a diferença entre a mente cheia de condicionamentos e o Eu, capaz de erguer-se sobre sua história e afirmar com Sartre: “O que fizeram de mim não é importante. Importante é o que eu faço com o que fizeram de mim!”.

Andrês De Nuccio

Vítima da mente ou regente do próprio destino?

1. Vítima da mente

Vivenciamos de muitas formas a força dos hábitos ou condicionamentos. Nosso passado fica armazenado em nossa mente e as conclusões aceitas como verdades têm permissão para gerar poderosos impulsos.

Se quando crianças, por exemplo, fomos maltratados por um professor alto e de bigodes, hoje, quarenta anos depois, nossa mente nos faz sentir desconfiança e aversão quando nos apresentam um homem alto e de bigodes. Eu não lembro mais do acontecido quando criança, porém a mente não esquece. Ela não faz isso por maldade. Pelo contrário, ela age assim numa tentativa protetora. Só que ela conhece apenas o passado e age mecanicamente, como um computador.

A mente não pensa, como nós seres humanos pensamos, avaliamos e decidimos conscientemente. Ela faz isso tudo automaticamente, o que gera muitos impulsos inadequados. O presente pode ser parecido com o passado, porém nunca é igual e muitas vezes essa diferença exige de nós um comportamento totalmente diferente daquele feito no passado.

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Ela tem em seu banco de dados a informação gravada de todas as experiências de nossa vida. Ela avalia o presente encaixando- o nas categorias desenvolvidas no passado. Se o passado foi marcado por experiências desagradáveis e por uma sucessão de fracassos e rejeições, a mente tende a interpretar tudo de forma pessimista e negativa. Se o passado foi vivido numa situação tranqüila e protegida, a mente tende a confiar o tempo todo (o que pode ser prejudicial em muitos casos).

Assim, a mente nos prende ao passado.

Outra forma em que se dá nossa escravidão aos condicionamentos é na forma dos vícios e compulsões. Uso essas palavras sem outorgar-lhes qualquer julgamento moral, apenas para deixar claro que a força dos impulsos mentais é muito grande.

A mente, como falei, não age de forma inteligente, mas de forma mecânica. Então, se, por qualquer motivo, iniciei um comportamento e o repeti sucessivas vezes, ela entende que ele deve ser repetido constantemente.

Se as células do corpo se viciaram em chocolate e reclamam de falta do doce gerando sensações desconfortáveis e, ao comer chocolate, essas sensações desaparecem, a mente conclui que isso é adequado e estabelece esse padrão de conduta. Se gritei com os meus subordinados e eles obedeceram, a mente estabelece que a ação foi eficiente e tende a repeti-la até mesmo diante de situações onde esse comportamento pode ser inconveniente.

Em síntese, a mente nos prende ao passado, limitando-nos e restringindo-nos de duas formas:

1) gerando interpretações automáticas dos eventos atuais, baseadas nas experiências e conclusões passadas e

2) gerando impulsos para fazermos ações que em algum momento foram agradáveis ou eficientes, ou simplesmente por tê-las repetido numerosas vezes anteriormente.

 

2. Regente do Próprio Destino

A meditação muda radicalmente a forma em que nos relacionamos com a mente. Ela deixa de ser quem determina o curso de nossas ações. Ela perde a atribuição de agir todas as vezes sem consultar-nos.

A mente perde a condição de rainha soberana e se transforma numa assessora. Nesse novo papel, ela continua a apresentar avaliações da situação presente em função das experiências passadas e continua a sugerir uma linha de ação (de fato essa é a tarefa dela, para isso é que ela existe).

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Porém, nas relações importantes ou diante de escolhas significativas, nós não seremos compelidos por suas indicações. Em lugar disso, ouviremos criticamente essas sugestões. Levaremos em conta nosso passado e nosso conhecimento prévio, porém poderemos optar por ações diferentes daquelas propostas pela mente, ao considerar os aspectos especiais e diferentes da situação presente.

Alguns exemplos:

1) Nossa mente viciada em café nos impulsiona a bebermos o quarto cafezinho do dia. Nós ouvimos a sugestão, porém decidimos que já tomamos café suficiente e não atendemos à esse impulso.

2) Nossa mente mergulha em depressão depois de uma crítica forte feita pelo nosso chefe numa reunião de equipe. Ela interpreta esse momento como sendo uma repetição de rejeições passadas e sugere que fiquemos deitados, sem sair da cama, por prazo indefinido. Nós, porém, podemos tanto ver as diferenças entre esta situação e as anteriores como decidir uma linha de ação nova em nossa vida: ao invés de ficarmos na cama, escolhemos fazer um trabalho de coaching para desenvolver as competências que necessitamos para melhorar nosso desempenho no trabalho.

3) Nossa mente, cheia de relatos de violência ouvidos repetidas vezes ao ler e assistir aos jornais, interpreta a demora de alguns minutos para um ente querido chegar em casa como sendo algum acidente ou assalto e propõe emoções de desespero e pânico. Nós, entendendo que a mente age a partir dos seus condicionamentos, separamos a palha do trigo: mantemos a serenidade porque sabemos que somos mais eficientes nesse estado emocional, definimos que esperaremos mais trinta minutos e, se a pessoa não chegar, telefonaremos para vários lugares para me informar-nos sobre o que pode estar acontecendo.

O que a mente propõe é compreensível porque ela avalia e conclui mecanicamente. Porém, nesse processo de avaliação há um defeito claro e, por isso, em situações significativas devo sair do “piloto automático” e assumir o “controle manual” para agir com mais chances de acerto.

O meditador vivencia esse processo e o observa de forma clara e repetida. Assim ele colhe o maravilhoso resultado de tornar-se capaz de neutralizar a força compulsiva dos condicionamentos e de alterar a forma como se relaciona com sua mente.

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O processo meditativo leva o praticante a entender o funcionamento mecânico da mente permitindo-lhe fazer ajustes e aprender a criar novos condicionamentos. O meditador desenvolve a habilidade de regular o funcionamento automático da mente, customizando-a para que funcione de uma forma que se adapte melhor a suas necessidades, objetivos e gostos.

Se a mente age de forma muito pessimista, por exemplo, o meditador pode trabalhar para gerar um novo condicionamento e conseguir que sua mente lhe apresente julgamentos mais equilibrados e ponderados. Se a mente costuma apresentar suas avaliações gritando e berrando, exigindo ações intensas e violentas de imediato, o meditador pode calibrar essa fúria explosiva, tornando a convivência com a mente menos estressante.

A mente estará constantemente do nosso lado, de dia e de noite. Ela sussurrará ou gritará suas interpretações dos fatos e gerará impulsos para agir de forma parecida a um lobby diante de um deputado. Ela é nossa companhia constante. Merece, portanto, receber ajustes para que se torne uma companhia menos desgastante, mais agradável e mais eficiente. Ao conseguir isso, o meditador diminui sua escravidão ao passado e aos maneirismos de sua mente automática e passa a viver de um jeito mais condizente com seus verdadeiros desejos e objetivos.

A prática da meditação permite o entendimento preciso desse processo de funcionamento mecânico da mente.

Ao sentar-se, relaxar e observar como a mente “pensa” involuntariamente, como gera emoções, desejos, impulsos, você dá os primeiros passos em sua caminhada meditativa.

Entender como a prisão funciona, saber cada detalhe de sua estrutura é imprescindível para encontrar brechas e possibilidades de fuga.

Preste atenção a como a mente fica tagarelando sem parar. Como ela julga em função do passado, como ela sugere, exige, impõe comportamentos.

Ao ganhar consciência do funcionamento mental, com a prática da meditação você começa a desenvolver a habilidade e o poder de não atender às exigências da mente. Nessa desobediência, está o germe de sua liberdade.

Andrês De Nuccio


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Nunca é tarde para se encontrar

A busca espiritual e o sentimento de missão sempre fez parte da vida Luzia Alves Julio, a Dona Luzia. Até os 50 e poucos anos, ela tinha certeza de que seria uma “pregadora religiosa”. Cristã “dos pés à cabeça”, como se define, fez cursos de teologia, frequentou retiros católicos até que, em uma das suas orações, recebeu o chamado: “Você vai dar aula de yoga”.

Ela já tinha tido contato com a filosofia milenar por meio de livros e até nas aulas de parapsicologia que frequentou, mas foi um padre que despertou nela a curiosidade sobre o yoga. Depois de muitas aulas e tentativas frustradas pela cidade, se encontrou nas aulas do Ísvara, quando ainda estava instalado no shopping Loema, na Av. Moraes Sales.

“Eu fazia aula de duas horas e meia de duração com o professor Andrês e saía extasiada. Ia embora a pé, meditando, e não raro escrevia poesias quando chegava em casa”, lembra.

A paixão pelo yoga foi tão arrebatadora que Luzia entrou na segunda turma de formação de professores de yoga do Instituto. “O curso tinha duração de dois anos e meio com duas aulas por semana com o Andrês. Era uma riqueza de informações. Para mim foi um verdadeiro divisor de águas: aquela Luzia de 53 anos passou por profundas mudanças: me senti mais livre, mais aberta, mais autoconfiante”, relata ela, que hoje tem 80 anos – 24 dando aulas de yoga.

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“Eu continuo a dar aula de yoga porque eu amo de paixão. Se fosse por dinheiro, não compensaria. Dou aula aos 80 anos porque sei o bem o que o yoga fez para mim. Foi um divisor de águas para o bem e eu gostaria que todo mundo fizesse. Por isso dou aulas como voluntária em uma igreja. Aquela busca, aquele anseio acalmou porque eu senti que eu estou no caminho certo”, confessa.

Por 23 anos, D. Luzia deu aula de yoga no Instituto Ísvara. Neste ano de 2018, parou porque sentiu que a rotina estava apertada. Ela foi a primeira professora de Yogaterapia Hormonal de Campinas, atendendo a pedidos das alunas do instituto. Hoje dá aulas na própria casa, onde tem três turmas de yoga, uma de meditação e uma de ritos tibetanos, além da aula na igreja.

Hoje, dona Luzia tem certeza de que sua missão de levar a palavra de Deus está sendo cumprida nas aulas de yoga, mesmo não falando diretamente no assunto.  

“Eu tinha uma busca espiritual de missão a vida toda. Essa busca sempre fez parte de mim por caminhos que nem sempre compreendi. Deixar de comer carne, procurar retiros, encontrar o yoga. Tudo isso é um processo que eu vinha desenvolvendo inconscientemente. Um dia eu estava nesse questionamento com Deus e ele me mandou fazer o curso de formação para professores de yoga, me chamou para falar Dele num ambiente que não tem compromisso com religião. Porque yoga não tem compromisso com religião nenhuma. Yoga é uma filosofia de harmonia, de união, você compreende que todos caminhos te levam para Deus - se você quiser encontrá-lo”, afirma.

Mãe de cinco filhos homens, professora de yoga, coordenadora de um grupo de estudos bíblicos há 35 anos, Dona Luzia tem certeza de que não teria a vitalidade que tem se não fosse pela prática do yoga. “As pessoas querem colher os frutos sem muito esforço. Eu me levanto todos os dias 4h30 da manhã para fazer uma sequência de asanas (posturas) que eu mesma criei chamada Bio Namaskar. Medito regulamente. Eu estou com 80 anos e as pessoas acham que é fácil chegar aos 80 com saúde, com disposição para trabalhar, para dar aula. Mas eu sei que não teria essa vitalidade se não tivesse tido contato com o yoga. Sinto que através do yoga consegui me elevar e me esclarecer. Quando eu for pro outro plano, irei em paz com a vida. O yoga muda a nossa consciência. Você passa a entender que todo mundo tem problema, mas a gente tem uma mente mais equilibrada, mais equânime, o coração mais aberto. Yoga é pensar: o que eu posso aprender ao viver um momento muito ruim?”, define com toda sua sabedoria.

A Árvore dos Desejos

A nossa mente é algo quase miraculoso. Ela origina sonhos, desejos, ideias e ideais. Eles, por sua vez, geram sensações, emoções, sentimentos e ações capazes de elevar ou destruir a própria vida e a dos que nos rodeiam.

Dedicamos anos da nossa vida a aprender a usar o corpo: a mantê-lo sentado, a engatinhar, a ficar em pé, a andar, a escrever, a falar, e tantas coisas mais. Levamos muito tempo ainda entendendo como funciona nosso mundo familiar e social.

Mas quase nada dedicamos à compreensão e controle de nosso próprio mecanismo interno de perceber, analisar, valorizar, decidir e fazer. Em outras palavras, não aprendemos a dar importância à compreensão do nosso funcionamento mental.

Assim, caímos constantemente em armadilhas: brigamos por coisas insignificantes, confundimos as prioridades, dedicamos anos a fio a lutar por coisas que não eram realmente importantes, etc.

Há uma história que ilustra bem o perigo de se possuir uma ferramenta tão poderosa como nossa mente, mas sem saber usá-la.

Havia uma vez um homem que, cansado de muito andar por uma floresta, sentou-se para descansar à sombra de uma árvore. Entregue a seus devaneios, pensou como seria bom se pudesse saborear uma manga.

De repente, uma manga madura caiu ao seu lado. Ele levantou o olhar e percebeu: “Não apenas esta não é a época das mangas, como esta não é uma mangueira!”.

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Entusiasmado pensou: “Deve ser uma árvore que concede os desejos! Vou testar de novo”. Ele se concentrou num almoço completo. Instantaneamente, ele se materializou na sua frente!

O homem estava tão entusiasmado que apenas podia comer, sufocado pelos próprios desejos que vertiginosamente surgiam em sua mente. Imaginou uma casa, um grande rebanho, uma bela esposa, várias toneladas de ouro e tudo apareceu conforme o esperado.

Estava exultante quando um pensamento o assaltou: “E se aparecesse um tigre faminto e me devorasse antes de eu poder desfrutar disto tudo?”

E o tigre apareceu...

Mais cedo ou mais tarde aparece o tigre na vida de todos aqueles que não aprendem a usar corretamente sua mente.

Andrês De Nuccio

Ensinando a linguagem do silêncio

A professora de línguas Eliza de Figueiredo não tinha a menor ideia de que estava cruzando com o seu futuro nas diversas vezes em que entrou no Instituto Isvara em busca de informações sobre aulas de yoga e saiu com o papelzinho da grade horária e preços nas mãos.

Mal sabia ela que o universo estava esperando o momento mais apropriado para proporcionar seu encontro com a filosofia milenar indiana muito citada no curso de Abordagem Transpessoal que frequentava. A proximidade da menopausa foi mola propulsora para procurar o yoga. Já sabendo dos benefícios da prática nesta fase da vida, optou pelo yoga no lugar da reposição hormonal.  O contato com a filosofia trouxe entendimento e discernimento em relação ao fim de um casamento de 23 anos. “Me matriculei, comecei as aulas, me apaixonei pela prática, pelo instituto e pela professora (Dona Luzia)”, lembra.

Foi no relaxamento de uma das aulas que Eliza teve um insight de que iria dar aulas de yoga. “Não foi um pensamento, foi uma mensagem. Não passou pelo meu cérebro”, deduz. Acolheu a inspiração e logo iniciou o curso de formação de professores no instituto.

 Em cinco meses de encontros se ofereceu para dar aulas voluntárias no Cândido Ferreira; logo depois já foi chamada para substituir professores no instituto e quando se deu conta já era professora de yoga. “Eu sou professora. Essa é a minha vocação. Qualquer coisa que eu aprenda bem eu quero compartilhar e foi assim com o yoga. Eu tinha certeza de que eu queria dar aulas dessa prática", revela.

Eliza tem diversas especializações: é pós-graduada em biospsicologia baseada em chakras, é aluna de sânscrito, gosta de entoar e lecionar mantras, é aluna de Vedanta e fez uma especialização em Yogaterapia.

 Desde que começou a ser instrutora de Yoga tem passado por mudança de hábitos, mudança de posturas perante a vida e mudança de valores. “Esses 12 anos envolveram muita mudança mesmo. E acho que o momento foi o certo: eu estava madura para entrar em contato e conhecer o yoga, desenvolver o trabalho e fazer frutificar. A gente não pode parar. Tem que continuar porque o caminho do yoga é longo”, diz a professora que está no Curso de Formação de Professores de Meditação e pretende estudar Mindfulness mais a fundo para poder dar aulas de meditação dentro de grandes empresas, onde já ensina inglês e português para estrangeiros. “Gosto do ambiente de empresa e acho que posso contribuir para que a população empresarial também se beneficie com interessantes técnicas que favorecem o auto- conhecimento e contribuem para um gerenciamento melhor das emoções", conclui.

Reportagem de Paula Ribeiro

Um estudante de si mesmo

Insone, ansioso e compulsivo. Antes de aceitar a filosofia do yoga em sua vida, o professor de yoga Leandro Faria resumia sua vida emocional nestas três palavras. 

Formado em Física, é faixa preta e foi professor de artes marciais por nove anos. Vivia estressado por operar na Bolsa de Valores. Recorreu ao yoga pela primeira vez quinze anos atrás em busca de alongamento, força e alívio para dores nas costas causadas por uma hérnia de disco. Nas aulas, dava atenção apenas para o aspecto físico da prática, ignorando a parte filosófica, chegando a se irritar com algumas falas dos professores e os mantras.

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Sua mente funcionava de forma lógica e não se calava em nenhum momento do dia – ou da noite. Comia desenfreadamente quando a emoção apertava.

“Foram quinze anos de idas e vindas em aulas de yoga, sempre em busca do corpo, do alongamento e do alívio das dores. Até o dia em que decidi ir atrás do que eu tinha consciência do que estava ignorando: a filosofia. Por isso procurei o curso de formação de professores de yoga. Confesso que tinha muito medo que fosse uma coisa muito holística, mas quando assisti a primeira aula e vi o jeito que a filosofia é apresentada pelo professor Andrês De Nuccio fiquei tranquilo e tive certeza que estava no lugar certo para mim”, diverte-se Leandro.

Logo após as primeiras aulas, a surpresa nas mudanças internas proporcionadas pelo curso. “A primeira grande mudança foi o meu jeito de ver a minha ansiedade: eu comia muito por compulsão e tinha insônia. A forma como eu enxerguei isso mudou. Eu vi que não era fome, era ansiedade. A insônia demorou mais para melhorar, mas eu parei de ficar irritado com aquilo. Eu simplesmente aceitava, acolhia e essa visão mais amorosa desse distúrbio fez com que ele melhorasse muito. Parei de sofrer. Hoje os episódios de insônia são mais espaçados e, quando ocorrem, eu canto um mantra, vou ler”, explica.

A segunda mudança percebida pelo professor foi dentro de casa. Seu relacionamento com a mulher e a filha também melhorou: “Hoje tento resolver as situações sem discussões. Venho tentado ter o mínimo de atrito que possa prejudicar o relacionamento. Tenho mais controle sobre como vou responder às situações e procuro não carregar mais nada comigo. Acabou o problema, tento me esquecer dele. Antigamente eu carregava cada mágoa comigo por dias, meses”, recorda.  

Para o professor Leandro, a prática que realmente auxiliou no controle da mente foi entoar mantras. Pelo menos 30 minutos do seu dia é dedicado aos cânticos sagrados. Para fazer a filha de 9 anos dormir, ambos cantam mantras antes de irem para a cama. “Ela sabe uns 6 mantras de cor”, orgulha-se. “Quando eu estou entoando mantras estou focado. A minha mente está mais calma. Agora, depois de três anos, eu consigo sentir espaços de silêncio em minha mente e, com mantras, isso é muito evidente”.

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Formado há dois anos pelo Ísvara, Leandro vive atualmente somente de aulas de yoga. Deixou as artes marciais, a Bolsa de Valores e a Física de lado. Montou um espaço em casa para dar aulas particulares e é professor no instituto e em uma academia em Barão Geraldo. “Gosto de dar aula porque me obriga a aprender mais. E também penso que podem ter outros Leandros sentados ali por isso tento dar a filosofia e os mantras de um jeito sutil, mas que entre na cabeça dos alunos”, revela. 

 “Passei por muitos lugares como praticante de yoga. No Ísvara, por mais que você tenha uma sala com 28 alunos, a aula é pessoal. Ali é a sua prática, você encontra espaço para conhecer a si mesmo. São 28 aulas diferentes em uma só”, 

Mais paz, calma e controle da mente descrevem agora o novo Leandro, professor de yoga, apreciador de mantras e eterno estudante de Vedanta e de si mesmo. 

 

Reportagem de Paula Ribeiro

Transformações da esportista yoguini

Transformações internas inexplicáveis enveredaram a professora Letícia Cavichioli pelo caminho do yoga. Nadadora desde os 5 anos de idade, apaixonada pela expressão através do corpo, para a professora do Ísvara a formação em Educação Física parecia a mais coerente.

Letícia já era professora em academias quando, de uma hora para a outra, não aguentava mais aquele ambiente barulhento, extravagante. Começou a odiar seu cotidiano e até mesmo o fato de ter se formado em Educação Física. Buscou no yoga outra prática para o corpo, mas foi o encontro com a filosofia do Yoga que, mais tarde, trouxe paz e tranquilidade que sua mente buscava.

Ao se deparar com o curso de formação de professores do Ísvara viu a possibilidade de um novo caminho. Sua mãe foi parceira na jornada: se formou com a filha. “A impressão que eu tenho é que era o universo me chamando para trazer aquilo para a minha vida. Fiz o curso e imediatamente me apaixonei pelo Yoga e pela filosofia. Me encontrei. Comecei a olhar mais para dentro de mim, para as coisas que aconteciam na minha vida e as decisões que tomava diante das situações. Quando você tem o primeiro encontro com o yoga você passa por uma transformação muito brusca: muita coisa acontece ao mesmo tempo”, explica.

A intensa mudança na vida de Letícia e de sua mãe fizeram com que ela se transformasse mais do que numa simples professora de yoga: Letícia é uma mensageira da filosofia. Acredita, adota e passa adiante os ensinamentos para seus alunos. O professor Andrês De Nuccio percebeu isso na aluna e já no segundo ano de formação a convidou para dar aulas no Ísvara.

Desde que se formou, em 2011, Letícia se encontrou. Ama dar aulas de yoga e tem certeza de que quer fazer isso para o resto da vida. “Do primeiro minuto que eu comecei a dar aula de yoga e até hoje eu entro na sala de aula e me entrego completamente. É meu ganha pão e é algo que eu amo fazer. Me vejo velhinha dando aula de yoga e uma velhinha praticante”, prevê.

Para ela, o Ísvara é o local ideal para se praticar e ensinar yoga. “No Ísvara eu consigo dar uma de yoga. Me expresso como professora de yoga e consigo fazer o trabalho que me proponho. Tem uma estrutura física boa. As pessoas entram com a atitude de praticar yoga”, explica.

Assim como os demais professores entrevistados, cada um leva para os seus alunos o que o yoga transformou neles mesmos. Letícia mostra que pelo corpo você se manifesta. “Você trabalha seu corpo para deixar ele mais saudável porque é o instrumento que você tem para se manifestar nesta vida e eu quero que as pessoas entendam como isso faz bem. A combinação de poder fazer um trabalho intenso corporal, mas também um trabalho intenso mais introspectivo e mais profundo me encantou. O fato de você poder meditar em uma postura de yoga é muito interessante. O yoga ensina que a partir do momento que você presta atenção, as coisas ficam mais suaves. E essa é uma importante lição para a vida”, ressalta.

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Pranayama, meditação, longa permanência nas posturas. Letícia se mantém fiel com a prática individual. Atleta que é, ainda pedala longas distâncias aos finais de semana e também neste momento traz o yoga: “É intenso, é desconfortável em alguns momentos e isso é a vida porque temos momentos intensos e desconfortáveis com os quais temos que lidar e sabemos que vai passar. O esporte traz disciplina para te tirar da zona de conforto”, define.

Quando ela recorda daquela Letícia que se formou e dava aulas em academias, percebe que se tratava de outra pessoa, mas tem consciência de que ainda há um longo caminho a percorrer. “A gente nunca para. Tem muito o que buscar. A transformação pela qual passei continua. De forma mais sutil, não tão profunda, mas continua”.

Por Paula Ribeiro.

Sentir-se mal não é tão difícil!

Li esses dias uma história segundo a qual uma senhora, preparando-se para sair, trocava diversas vezes de roupa. Insatisfeita, ela dizia para o marido "puxa vida, estou mais gorda, com mais rugas, o cabelo está terrível e nada me cai bem!" Ele tentando encorajá-la, disse: "Pense positivo querida, os seus olhos continuam enxergando muito bem!"

Isso me lembrou de um viagem, alguns anos atrás. Estava com um amigo indo de carro para algum lugar. Era o final de uma tarde agradável de verão e o sol se derretia no céu em maravilhosos tons de laranja. Comentei a beleza do espetáculo. Meu amigo concordou acrescentando: "...e pensar que essa cor é produzida pelas toneladas de poluentes que todo dia são despejados na atmosfera!".

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Em poucos segundos, à medida que acompanhava sua fala, o meu deleite era devorado pelas palavras que descortinavam, em minha própria mente, um lugar feio, poluído e mau, onde antes havia apenas beleza e encantamento.

Esses exemplos mostram que sentir-se mal não é tão difícil. É relativamente fácil neutralizar a influência dos eventos bons e agradáveis encontrando enfoques e argumentos que nos mantenham mergulhados em emoções destrutivas. E, quando as coisas não vão do jeito que desejamos, sempre é possível mergulhar ainda mais fundo na frustração, na raiva ou na tristeza.

Para se sentir mal é preciso estar vigilante. É preciso evitar os entardeceres, as cores das flores e a risada das crianças. E se, por ventura, entrar em contato com alguma dessas coisas, deverá desviar o olhar ou encontrar rapidamente argumentos que mostrem que o que você está vendo "parece" bom, mas "na realidade", é ruim e desagradável.

Certamente que gostos não se discutem. Quem tem o direito de criticar as escolhas de outras pessoas? Não me atrevo a tanto. Mas não posso evitar de apontar que o procedimento para sentir-se bem é exatamente o mesmo. Ou seja, temos em nossas mãos a habilidades necessárias para sentir-nos mal ou bem. Ninguém é verdadeiramente vítima das emoções perturbadoras. É tudo uma questão de escolhas.

 

Andrês De Nuccio

A proposta irrealizável


Qual é a proposta que a sociedade consumista oferece para tentar superar o constante estado de insatisfação dos seres humanos? A ideia é estruturar o mundo à visando obter um fluxo constante de sensações e emoções agradáveis (comprar casas na praia, pijamas de seda, comidas exóticas, bebidas excitantes e carros de luxo, obter um/a companheiro/a que seja bonito/a, alegre, atencioso/a, amoroso/a, sensual e que de preferência não envelheça).

Mas essa proposta nada mais é do que um absurdo irrealizável, uma solução fantasiosa de um ser emocionalmente infantil. Para conseguir isso o ser humano teria que ter a capacidade de manter para sempre o que dá prazer, sem se entediar. Teria também que manter fora de seu contato tudo que discorda de seus desejos e da sua maneira de entender as coisas. Ou seja, teria que ter um controle total e absoluto sobre todo o universo, o que é, para dizer o mínimo, totalmente irreal.

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O amadurecimento emocional não é automático. A sociedade supõe que acontece com a vida emocional o mesmo que com o corpo que vai se desenvolvendo e o indivíduo atinge a maturidade física sem qualquer intervenção consciente no processo.
Mas a verdade é bem outra. Quantas pessoas há fisicamente adultas mas emocionalmente infantis? O fato é que o amadurecimento emocional é uma realização a ser conquistada, um empreendimento que consome tempo e esforço, que requer estudo, observação, dedicação e práticas sistemáticas.

Por isso a meditação tem tanto sucesso no mundo todo, nas mais diferentes culturas. Ela permite essa observação profunda e objetiva, gradual e contínua. Assim o praticante vai tomando consciência de seu mundo psicológico e vai aprendendo ao discernir e comandar seus impulsos.

O fruto de tudo isso é uma ampla consciência dos movimentos psíquicos e um maior controle sobre os estados de ânimo superando a sensação de estar sendo periodicamente violentado pelas emoções. É bem evidente que não há chance de felicidade ou excelência na própria vida a não ser que o ser humano atinja a maestria sobre o seu mundo emocional.

Andrês de Nuccio