Um estudante de si mesmo

Insone, ansioso e compulsivo. Antes de aceitar a filosofia do yoga em sua vida, o professor de yoga Leandro Faria resumia sua vida emocional nestas três palavras. 

Formado em Física, é faixa preta e foi professor de artes marciais por nove anos. Vivia estressado por operar na Bolsa de Valores. Recorreu ao yoga pela primeira vez quinze anos atrás em busca de alongamento, força e alívio para dores nas costas causadas por uma hérnia de disco. Nas aulas, dava atenção apenas para o aspecto físico da prática, ignorando a parte filosófica, chegando a se irritar com algumas falas dos professores e os mantras.

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Sua mente funcionava de forma lógica e não se calava em nenhum momento do dia – ou da noite. Comia desenfreadamente quando a emoção apertava.

“Foram quinze anos de idas e vindas em aulas de yoga, sempre em busca do corpo, do alongamento e do alívio das dores. Até o dia em que decidi ir atrás do que eu tinha consciência do que estava ignorando: a filosofia. Por isso procurei o curso de formação de professores de yoga. Confesso que tinha muito medo que fosse uma coisa muito holística, mas quando assisti a primeira aula e vi o jeito que a filosofia é apresentada pelo professor Andrês De Nuccio fiquei tranquilo e tive certeza que estava no lugar certo para mim”, diverte-se Leandro.

Logo após as primeiras aulas, a surpresa nas mudanças internas proporcionadas pelo curso. “A primeira grande mudança foi o meu jeito de ver a minha ansiedade: eu comia muito por compulsão e tinha insônia. A forma como eu enxerguei isso mudou. Eu vi que não era fome, era ansiedade. A insônia demorou mais para melhorar, mas eu parei de ficar irritado com aquilo. Eu simplesmente aceitava, acolhia e essa visão mais amorosa desse distúrbio fez com que ele melhorasse muito. Parei de sofrer. Hoje os episódios de insônia são mais espaçados e, quando ocorrem, eu canto um mantra, vou ler”, explica.

A segunda mudança percebida pelo professor foi dentro de casa. Seu relacionamento com a mulher e a filha também melhorou: “Hoje tento resolver as situações sem discussões. Venho tentado ter o mínimo de atrito que possa prejudicar o relacionamento. Tenho mais controle sobre como vou responder às situações e procuro não carregar mais nada comigo. Acabou o problema, tento me esquecer dele. Antigamente eu carregava cada mágoa comigo por dias, meses”, recorda.  

Para o professor Leandro, a prática que realmente auxiliou no controle da mente foi entoar mantras. Pelo menos 30 minutos do seu dia é dedicado aos cânticos sagrados. Para fazer a filha de 9 anos dormir, ambos cantam mantras antes de irem para a cama. “Ela sabe uns 6 mantras de cor”, orgulha-se. “Quando eu estou entoando mantras estou focado. A minha mente está mais calma. Agora, depois de três anos, eu consigo sentir espaços de silêncio em minha mente e, com mantras, isso é muito evidente”.

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Formado há dois anos pelo Ísvara, Leandro vive atualmente somente de aulas de yoga. Deixou as artes marciais, a Bolsa de Valores e a Física de lado. Montou um espaço em casa para dar aulas particulares e é professor no instituto e em uma academia em Barão Geraldo. “Gosto de dar aula porque me obriga a aprender mais. E também penso que podem ter outros Leandros sentados ali por isso tento dar a filosofia e os mantras de um jeito sutil, mas que entre na cabeça dos alunos”, revela. 

 “Passei por muitos lugares como praticante de yoga. No Ísvara, por mais que você tenha uma sala com 28 alunos, a aula é pessoal. Ali é a sua prática, você encontra espaço para conhecer a si mesmo. São 28 aulas diferentes em uma só”, 

Mais paz, calma e controle da mente descrevem agora o novo Leandro, professor de yoga, apreciador de mantras e eterno estudante de Vedanta e de si mesmo. 

 

Reportagem de Paula Ribeiro

Transformações da esportista yoguini

Transformações internas inexplicáveis enveredaram a professora Letícia Cavichioli pelo caminho do yoga. Nadadora desde os 5 anos de idade, apaixonada pela expressão através do corpo, para a professora do Ísvara a formação em Educação Física parecia a mais coerente.

Letícia já era professora em academias quando, de uma hora para a outra, não aguentava mais aquele ambiente barulhento, extravagante. Começou a odiar seu cotidiano e até mesmo o fato de ter se formado em Educação Física. Buscou no yoga outra prática para o corpo, mas foi o encontro com a filosofia do Yoga que, mais tarde, trouxe paz e tranquilidade que sua mente buscava.

Ao se deparar com o curso de formação de professores do Ísvara viu a possibilidade de um novo caminho. Sua mãe foi parceira na jornada: se formou com a filha. “A impressão que eu tenho é que era o universo me chamando para trazer aquilo para a minha vida. Fiz o curso e imediatamente me apaixonei pelo Yoga e pela filosofia. Me encontrei. Comecei a olhar mais para dentro de mim, para as coisas que aconteciam na minha vida e as decisões que tomava diante das situações. Quando você tem o primeiro encontro com o yoga você passa por uma transformação muito brusca: muita coisa acontece ao mesmo tempo”, explica.

A intensa mudança na vida de Letícia e de sua mãe fizeram com que ela se transformasse mais do que numa simples professora de yoga: Letícia é uma mensageira da filosofia. Acredita, adota e passa adiante os ensinamentos para seus alunos. O professor Andrês De Nuccio percebeu isso na aluna e já no segundo ano de formação a convidou para dar aulas no Ísvara.

Desde que se formou, em 2011, Letícia se encontrou. Ama dar aulas de yoga e tem certeza de que quer fazer isso para o resto da vida. “Do primeiro minuto que eu comecei a dar aula de yoga e até hoje eu entro na sala de aula e me entrego completamente. É meu ganha pão e é algo que eu amo fazer. Me vejo velhinha dando aula de yoga e uma velhinha praticante”, prevê.

Para ela, o Ísvara é o local ideal para se praticar e ensinar yoga. “No Ísvara eu consigo dar uma de yoga. Me expresso como professora de yoga e consigo fazer o trabalho que me proponho. Tem uma estrutura física boa. As pessoas entram com a atitude de praticar yoga”, explica.

Assim como os demais professores entrevistados, cada um leva para os seus alunos o que o yoga transformou neles mesmos. Letícia mostra que pelo corpo você se manifesta. “Você trabalha seu corpo para deixar ele mais saudável porque é o instrumento que você tem para se manifestar nesta vida e eu quero que as pessoas entendam como isso faz bem. A combinação de poder fazer um trabalho intenso corporal, mas também um trabalho intenso mais introspectivo e mais profundo me encantou. O fato de você poder meditar em uma postura de yoga é muito interessante. O yoga ensina que a partir do momento que você presta atenção, as coisas ficam mais suaves. E essa é uma importante lição para a vida”, ressalta.

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Pranayama, meditação, longa permanência nas posturas. Letícia se mantém fiel com a prática individual. Atleta que é, ainda pedala longas distâncias aos finais de semana e também neste momento traz o yoga: “É intenso, é desconfortável em alguns momentos e isso é a vida porque temos momentos intensos e desconfortáveis com os quais temos que lidar e sabemos que vai passar. O esporte traz disciplina para te tirar da zona de conforto”, define.

Quando ela recorda daquela Letícia que se formou e dava aulas em academias, percebe que se tratava de outra pessoa, mas tem consciência de que ainda há um longo caminho a percorrer. “A gente nunca para. Tem muito o que buscar. A transformação pela qual passei continua. De forma mais sutil, não tão profunda, mas continua”.

Por Paula Ribeiro.

Sentir-se mal não é tão difícil!

Li esses dias uma história segundo a qual uma senhora, preparando-se para sair, trocava diversas vezes de roupa. Insatisfeita, ela dizia para o marido "puxa vida, estou mais gorda, com mais rugas, o cabelo está terrível e nada me cai bem!" Ele tentando encorajá-la, disse: "Pense positivo querida, os seus olhos continuam enxergando muito bem!"

Isso me lembrou de um viagem, alguns anos atrás. Estava com um amigo indo de carro para algum lugar. Era o final de uma tarde agradável de verão e o sol se derretia no céu em maravilhosos tons de laranja. Comentei a beleza do espetáculo. Meu amigo concordou acrescentando: "...e pensar que essa cor é produzida pelas toneladas de poluentes que todo dia são despejados na atmosfera!".

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Em poucos segundos, à medida que acompanhava sua fala, o meu deleite era devorado pelas palavras que descortinavam, em minha própria mente, um lugar feio, poluído e mau, onde antes havia apenas beleza e encantamento.

Esses exemplos mostram que sentir-se mal não é tão difícil. É relativamente fácil neutralizar a influência dos eventos bons e agradáveis encontrando enfoques e argumentos que nos mantenham mergulhados em emoções destrutivas. E, quando as coisas não vão do jeito que desejamos, sempre é possível mergulhar ainda mais fundo na frustração, na raiva ou na tristeza.

Para se sentir mal é preciso estar vigilante. É preciso evitar os entardeceres, as cores das flores e a risada das crianças. E se, por ventura, entrar em contato com alguma dessas coisas, deverá desviar o olhar ou encontrar rapidamente argumentos que mostrem que o que você está vendo "parece" bom, mas "na realidade", é ruim e desagradável.

Certamente que gostos não se discutem. Quem tem o direito de criticar as escolhas de outras pessoas? Não me atrevo a tanto. Mas não posso evitar de apontar que o procedimento para sentir-se bem é exatamente o mesmo. Ou seja, temos em nossas mãos a habilidades necessárias para sentir-nos mal ou bem. Ninguém é verdadeiramente vítima das emoções perturbadoras. É tudo uma questão de escolhas.

 

Andrês De Nuccio

A proposta irrealizável


Qual é a proposta que a sociedade consumista oferece para tentar superar o constante estado de insatisfação dos seres humanos? A ideia é estruturar o mundo à visando obter um fluxo constante de sensações e emoções agradáveis (comprar casas na praia, pijamas de seda, comidas exóticas, bebidas excitantes e carros de luxo, obter um/a companheiro/a que seja bonito/a, alegre, atencioso/a, amoroso/a, sensual e que de preferência não envelheça).

Mas essa proposta nada mais é do que um absurdo irrealizável, uma solução fantasiosa de um ser emocionalmente infantil. Para conseguir isso o ser humano teria que ter a capacidade de manter para sempre o que dá prazer, sem se entediar. Teria também que manter fora de seu contato tudo que discorda de seus desejos e da sua maneira de entender as coisas. Ou seja, teria que ter um controle total e absoluto sobre todo o universo, o que é, para dizer o mínimo, totalmente irreal.

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O amadurecimento emocional não é automático. A sociedade supõe que acontece com a vida emocional o mesmo que com o corpo que vai se desenvolvendo e o indivíduo atinge a maturidade física sem qualquer intervenção consciente no processo.
Mas a verdade é bem outra. Quantas pessoas há fisicamente adultas mas emocionalmente infantis? O fato é que o amadurecimento emocional é uma realização a ser conquistada, um empreendimento que consome tempo e esforço, que requer estudo, observação, dedicação e práticas sistemáticas.

Por isso a meditação tem tanto sucesso no mundo todo, nas mais diferentes culturas. Ela permite essa observação profunda e objetiva, gradual e contínua. Assim o praticante vai tomando consciência de seu mundo psicológico e vai aprendendo ao discernir e comandar seus impulsos.

O fruto de tudo isso é uma ampla consciência dos movimentos psíquicos e um maior controle sobre os estados de ânimo superando a sensação de estar sendo periodicamente violentado pelas emoções. É bem evidente que não há chance de felicidade ou excelência na própria vida a não ser que o ser humano atinja a maestria sobre o seu mundo emocional.

Andrês de Nuccio

Yoga para fortalecer os músculos e a mente

Da dança à arte. Da arte ao yoga. Do yoga à decisões contundentes. Na trajetória do professor Bruno de Castro Silva, muitos aspectos comuns a quem se dedica à prática: uma visão mais amorosa da vida, menos julgamento, ajudar as pessoas próximas. Leia na íntegra a entrevista com o professor Bruno de Castro Silva, dançarino pela Unicamp e recentemente formado e apaixonado por yoga e seus benefícios. 

 

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Conte como descobriu o yoga.

Minha formação é em dança e eu percebi que  já praticava o Yoga, porém sem saber o que aquilo envolvia em nível energético. Engraçado que eu cheguei a praticar yoga 10 anos atrás, mas eu não consigo nem me lembrar se foi bom ou ruim porque não me pegou naquele momento. Foi me pegar num instante da minha vida em que eu já tinha experimentado muitas coisas em relação à dança e à arte e pensei o que poderia ser uma nova busca.

Como você começou a praticar de fato?

Uma vizinha minha me convidou para praticar yoga na casa dela, com uma professora particular, assim eu comecei a primeira prática. A professora deu os exercícios conhecidos como “ritos tibetanos” (que tem posturas do yoga) de lição de casa e eu senti um efeito: fiquei forte, mais equilibrado e decidi continuar.

Como você decidiu fazer o curso de formação do Ísvara e como se tornou professor no instituto?

Fiz aulas com algumas professoras e um dia fiz uma aula com a professora Eliza, no Ísvara, e na hora eu senti que era ali que eu queria estar e queria trabalhar: o silêncio, a concentração, a forma como a professora inseria a filosofia durante a aula me pegaram. No sábado seguinte, teve a palestra com o professor Andrês De Nuccio e isso foi a isca para decidir fazer o curso de formação. Fazendo o curso, logo fui convidado a dar aula no Instituto. Como eu já tinha a formação do corpo por causa da dança, pra mim foi mais fácil. A formação no Ísvara valeu pelo respaldo filosófico.

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Todos relatam profundas transformações no primeiro ano de curso. Isso aconteceu com você?

A formação foi um momento de transformação geral na minha vida. Eu fui casado por 14 anos, eu estava em um relacionamento arrastado e o yoga me deu força para modificar, sair desse padrão, perceber que eu podia seguir sozinho, mais pleno. Hoje em dia, eu percebo que me cobro menos. A gente se isenta das responsabilidades exageradas, entrega mais para o universo e isso nos confere paz. Com o yoga você se coloca na posição de observador. Essa filosofia traz o discernimento de alinhar tendências que estão adormecidas, dá forças para a potência de cada um.

Como você se sente como professor de yoga?

Eu sinto muita paz e muita alegria em perceber o quanto eu posso me doar e ajudar o próximo. Cada vez que eu entro em uma sala de yoga, não estou ali para ensinar a pessoa as posturas, estou ali ajudá-la a encontrar alguma solução. A pessoa que busca aula de yoga está em busca de algo maior. A função do professor é justamente trazer um alívio, trazer uma força, uma potência para que a pessoa perceba que, despertando a força muscular, ela pode trazer a força energética, o equilíbrio, a flexibilidade à tona para enfrentar os desafios – que foi o que aconteceu comigo. Cada aluno é um mestre para mim: quando estou ali, falando, eu estou lembrando para mim mesmo os ensinamentos. É uma troca que não cessa.

Você sentiu que a sua relação com as pessoas mudou?

Sim, mas não de uma forma direta. Mas é nítido que quando a gente muda o nosso campo energético, começa a mudar o outro. O outro fica mais leve porque a gente também começa a compreende-lo melhor. E isso falta muito hoje em dia: uma visão amorosa sobre o outro, o olhar do ponto de vista do outro tentando entender porque a pessoa pensa de uma determinada forma. Falta respeito, compaixão e o yoga traz isso muito forte.

Como foi com seus amigos e família?

Leva um tempo para as pessoas se acostumarem com as suas mudanças, que são sutis, mas muito fortes. A gente mesmo acaba se sentindo um ET. O ciclo de amigos mudou porque eu parei de beber álcool, não como mais carne e as pessoas te testam para ver se essa decisão é real ou só uma experiência. Eu ainda consigo me relacionar bem com todo mundo. No começo meus amigos estranharam um pouco, mas hoje em dia muitos me procuram para conversar porque percebem que tenho outro ponto de vista: mais compreensivo, mais amoroso, menos julgador.  Meus pais também me procuram mais para conversar. 

Você praticou yoga em outros lugares antes de chegar ao Ísvara. Há alguma diferença?

No Ísvara tem a tradição: é nítido que teve um estudo ali e que tem um pouco de cada um dos mestres do hatha yoga. O espaço físico tem uma energia de limpeza, de fluidez. Outra diferença é silêncio, que é muito necessário na prática porque é uma hora e meia do seu dia que você vai estar em total contato com você mesmo e com as suas sensações e com as sensações da sua mente. Os professores são incríveis. E o fato do yoga ensinado servir para todas as pessoas de todas as idades em uma mesma aula é ótimo: todo mundo sai se sentido bem e capaz. Na minha aula eu dou pelo menos duas variações da mesma postura – da mais simples para a mais avançada- para que contemple a todos.

Um livro brilha, um caminho se abre

Quando as coisas têm que acontecer, nada no universo impede. Já formada em dança, um livro sobre yoga que sempre esteve na estante de livros do pai brilhou aos olhos da professora Marcela Marin. Leia a seguir a interessante história desta professora - que está há 10 anos no Ísvara - com o Yoga.

 

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Um dia encontrei, já adulta, Hatha, o ABC do Yoga, um livro do Caio Miranda na estante do meu pai, que é professor de educação física. Eu estudei Gnose, Rosa Cruz quando eu era criança então eu tinha uma busca dentro de mim que eu não sabia o que era. Eu tinha um contato forte com a espiritualidade, mas ainda não estava formatado. Na faculdade de dança eu sentia que ainda não era aquilo. Eu gostava da parte da consciência corporal, de desenvolver uma coreografia, mas nunca gostei de me expor, de estar no palco. Um belo dia achei esse livro, que falava dessa conexão corpo e mente. Logo depois conheci uma menina que estava fazendo o curso de formação de professora de yoga e ela que me trouxe para o Ísvara e eu me apaixonei pelo yoga porque associou a minha busca espiritual com o físico.

No primeiro ano do curso de formação as mudanças pelas quais eu passei foram chocantes. Eu tinha um problema de compulsão alimentar: eu comia muito, tinha 12 quilos a mais do que eu tenho hoje, comia por ansiedade: insatisfação por não saber digerir as emoções. Para mim, o primeiro impacto foi ver que existe outra forma de comer, de pensar, de me controlar: por que eu fazia aquilo comigo?

Foi um processo gradual de conhecimento com as perguntas básicas: onde estou? O que estou fazendo aqui? O que estou buscando? O que eu quero?

Eu nunca tinha parado para observar a minha mente. Em nenhum lugar a gente aprende isso. Eu sempre tive incentivo dos meus pais a ler, mas nunca cheguei a nada parecido ao autoconhecimento tão direto como o contato com o Yoga proporciona.

A minha espiritualidade também se resolveu trilhando esse caminho. Existem tantas formas de explorar o meu corpo dentro do Yoga e me sinto completa. Eu gosto de ser professora de Yoga. Tem os desafios porque as pessoas acham que a gente é zen o dia inteiro. Eu dou aula há dez anos e tenho muitos alunos e turmas. É um trabalho cansativo, envolve muita troca de energia. Mas muito gratificante.

Como comecei a dar aula durante o curso de formação, à medida que eu aprendia uma coisa nova eu já colocava em prática com os meus alunos. Então eu fui crescendo junto com eles. É muito legal ver a transformação dos nossos alunos ao longo dos anos - e a nossa também.

Nós, enquanto professores, não paramos nunca de estudar. Quando acabei o curso de formação que começou a minha jornada porque a partir dali, fui para a meditação, pro Vedanta: hoje em dia ele me toma a vida – é minha psicologia diária, é o que estudo profundamente.

Já fui a fundo nas posturas, nos ásanas: já pratiquei Ashtanga, Iyengar, já pratiquei na Índia, em vários lugares e hoje eu busco praticar, mas meu foco principal não é mais esse. Hoje vale mais meditar por uma hora, conseguir controlar minhas emoções com as situações cotidianas do que fazer posturas.

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E eu continuo buscando. Quando fui para a Índia e fiquei um mês conheci um professor de Hatha Yoga e sempre que eu volto pra lá eu busco fazer aula com ele porque eu gosto da didática, gosto de como ele ensina. Meu professor de Vinyasa conheci no Sul e sempre que posso vou fazer uma aula com ele. Para trazer coisas novas porque uma hora que a criatividade esgota dando aula todos os dias.

O Ísvara tem algo diferente. O professor Andrês De Nuccio desenvolveu uma linguagem Ísvara. Um método muito eficaz para que todos os alunos de todas as idades e níveis de conhecimento possam absorver os ensinamentos do Yoga.

O Yoga e o Vedanta nos dão ferramentas preciosas e temos que colocar em prática como a compaixão e a aceitação. Casamento e família são os melhores lugares para colocar a ferramenta em dia porque é uma relação muito próxima, diária. Marido, filho, pais, irmãos. Hoje em dia não consigo brigar, evito. Sempre tento enxergar do ponto de vista do outro. Se uma pessoa é grossa comigo, penso pelo que ela está passando. E eu tenho ferramentas para lidar com essa situação. Nosso papel é entender que é um processo da pessoa e não adianta a gente se abalar. É um exercício diário de desapego.